Apesar dos esforços crescentes das empresas em direção à inclusão, a pesquisa “Women at Workplace 2024” da McKinsey & Company pinta um quadro complexo, onde a igualdade de gênero permanece um objetivo bem distante. A cultura de trabalho resiste à mudança e as experiências cotidianas das mulheres pouco evoluíram na última década.

Os dados da pesquisa são claros: a igualdade de gênero no ambiente corporativo americano ainda está a décadas de distância.

A pesquisa projeta que, mantendo o ritmo atual, a paridade para mulheres brancas levará 22 anos. Para as mulheres de cor, a situação é ainda mais crítica, com a paridade na liderança sênior estimada em 48 anos. Essas projeções, baseadas em dados detalhados de empresas participantes, revelam que os ganhos recentes podem não ser sustentáveis, a menos que mudanças significativas ocorram.

As empresas têm investido em iniciativas para promover a igualdade, como implementação de práticas para eliminar preconceitos na contratação e avaliação de desempenho, criação de políticas de inclusão, investimento em treinamentos e jornadas educacionais. No entanto, os resultados demonstram que esses esforços, embora importantes, não estão se traduzindo em uma reconstrução da cultural do trabalho.

Empresas investem em treinamentos e políticas de inclusão, mas os resultados são limitados. Quase todas oferecem treinamento de preconceito ou aliança, mas a pesquisa não encontrou mudanças significativas no comportamento dos funcionários. Por quê?

Mulheres continuam a enfrentar microagressões que minam sua credibilidade e potencial. São quase duas vezes mais propensas a serem confundidas com pessoas mais juniores.

A pesquisa revela que a experiência das mulheres no trabalho pouco evoluiu nos últimos anos. Dados que só se agravam quando incluímos os recortes de raça, classe, corpos. Mulheres negras e/ou com deficiência continuam a lidar com interações ainda mais degradantes, como por exemplo ouvir outras pessoas expressarem surpresa com suas habilidades linguísticas.

Essa realidade se manifesta em agressões baseadas em competências, onde as mulheres são mais propensas do que os homens a lidar com comentários e ações que colocam em questão a sua credibilidade ou potencial de liderança.

Discrepâncias na Percepção: Uma Barreira Adicional:

A pesquisa “Women at Workplace 2024” também aponta para uma lacuna na percepção entre homens e mulheres sobre o progresso da igualdade.

Homens, especialmente em cargos de liderança, estão mais otimistas sobre o progresso das mulheres do que as próprias mulheres. Eles são menos conscientes das barreiras que as mulheres enfrentam.

Há também uma divisão em como homens e mulheres veem suas contribuições em casa. Homens tendem a acreditar que dividem o trabalho doméstico igualmente com suas parceiras, enquanto as mulheres continuam a relatar que assumem a maior parte das tarefas.

“A grande questão é criar aliados e ter programas que não sejam apenas para comunidades tradicionalmente marginalizadas. Não acho que podemos avançar tão facilmente se não tivermos apoio de aliados ao nosso redor.”
Depoimento de uma gerente mulher que foi citado na pesquisa

Reforçando a depoimento, Women at Workplace 2024 ainda destaca o papel que os homens devem assumir nesta jornada no combate às violências no ambiente de trabalho e na manutenção da segurança psicológica de todos. Eles representam pelo menos metade da força de trabalho e ocupam a maioria dos cargos de liderança. Homens precisam ser envolvidos e assumirem a responsabilidade por estas mudanças.

Todo trabalho é um chamado à ação para as empresas. É preciso ir além dos treinamentos e políticas, promover discussões de uma forma respeitosa mas que gere incômodos e reflexões para gerarmos uma transformação cultural verdadeira, que envolva todos os níveis da organização. Isso inclui:

  • Engajar os funcionários como aliados.
  • Promover jornadas educacionais.
  • Combater as microagressões.
  • Garantir que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens.
  • Promover a conscientização sobre as diferenças na percepção entre homens e mulheres.

A jornada rumo à paridade é longa, mas com ações concretas e um compromisso genuíno, é possível acelerar esse processo e construir um futuro mais equitativo e inclusivo para todas as mulheres.